importação trigo - wheat import
Grãos

Exportação de trigo para árabes foi recorde em janeiro

fev, 22, 2021 Postado porSylvia Schandert

Semana202108

Dados da área de Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira apontam que em janeiro deste ano as exportações brasileiras de trigo e misturas com centeio para os países árabes somaram US$ 26,78 milhões, um recorde na série histórica desde 2017. O volume do mês foi de 124.715 toneladas e os principais compradores foram Arábia Saudita e Palestina.

Segundo o analista de agronegócio da consultoria Tendências, Felipe Novaes, o recorde está inserido em um contexto mais amplo. Entre os fatores está a oferta brasileira, que está alta em decorrência período de colheita, além da valorização do dólar que torna mais competitivo o produto brasileiro. Há ainda a demanda da região do Norte da África e do Oriente Médio (MENA) e a menor oferta em importantes países produtores.

Sobre o consumo dos árabes, Novaes lembra que o crescimento já ocorre desde o último ano. “Entre 2020 e 2021, o USDA prevê aumento de consumo na ordem de 2,5% ao ano, em média, para o Norte da África e do Oriente Médio, onde se concentram os países árabes”, destacou. A taxa está acima dos últimos cinco anos, quando o crescimento do consumo na região alcançou média de 1,1% ao ano.

Ainda segundo o USDA, para atender as necessidades de consumo as nações do MENA devem importar mais trigo. No biênio que inclui 2020 e 2021, o crescimento médio nas compras deve ser de 4,6% ao ano.

Do outro lado, o Brasil veio de uma queda na produção, frente a problemas climáticos, que prejudicaram a comercialização em 2020. Neste ano, a safra que começou a ser colhida recentemente vem recuperando o fôlego das exportações. “O desenvolvimento do trigo brasileiro na safra corrente foi menos prejudicado, de modo que os produtores estão possivelmente aproveitando a janela de oportunidade de exportação aberta pela taxa de câmbio em patamares bastante elevados (real historicamente desvalorizado ante o dólar), justamente na época do ano em que há mais trigo novo disponível no mercado”, disse ele, lembrando que a oferta interna deve crescer 24,9% segundo levantamento divulgado pela Conab em fevereiro.

A pandemia do coronavírus também afetou a comercialização do trigo no mundo. “Há sinais de implementação de barreiras tarifárias e não tarifárias de importantes países produtores de trigo, uma vez que o contexto de pandemia gerou aumento de preocupação com questões relacionadas à segurança alimentar no mundo”, explicou o analista citando como exemplos a Rússia, a Ucrânia e a Argentina. Para Novaes, há tendência que essas nações passem a priorizar a segurança alimentar doméstica, diminuindo suas exportações.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe – ANBA

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